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Direito e IA · Gestão pública

Inteligência artificial nas contratações públicas: governança antes da tecnologia

Ferramentas de IA podem apoiar a pesquisa de preços, a elaboração de documentos e a análise de propostas, mas exigem regras claras de uso, supervisão humana e atenção à proteção de dados.

Por César Nogueira · OAB/DF 88.279 Publicado em · 2 min de leitura

Onde a IA pode ajudar

  • Pesquisa de preços e comparação de contratações semelhantes.
  • Elaboração de primeiras versões de ETP, Termo de Referência e minutas.
  • Leitura e organização de documentos de habilitação e propostas.
  • Acompanhamento de prazos, obrigações contratuais e indicadores de fiscalização.

Os riscos que precisam ser geridos

Sistemas de IA podem produzir informações incorretas com aparência de verdade, reproduzir vieses e expor dados pessoais ou informações sigilosas, como o conteúdo de propostas antes da abertura. A responsabilidade pelos atos continua sendo do agente público: a decisão deve ser motivada (art. 50 da Lei nº 9.784/1999) e não pode ser delegada a uma ferramenta.

O que diz a legislação

A Lei nº 14.133/2021 atribui à alta administração a responsabilidade pela governança das contratações, com gestão de riscos e controles internos (art. 11, parágrafo único), e organiza o controle em três linhas de defesa (art. 169). O uso de IA deve se encaixar nessa estrutura.

Quando houver tratamento de dados pessoais, aplica-se a Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018), inclusive o direito de revisão de decisões tomadas unicamente com base em tratamento automatizado (art. 20). O marco legal específico da IA, o PL nº 2.338/2023, foi aprovado pelo Senado em dezembro de 2024 e, até a data desta publicação, aguardava deliberação na Câmara dos Deputados.

Boas práticas para órgãos e entidades

  • Editar uma política interna de uso de IA, com usos permitidos e vedados.
  • Exigir revisão humana de todo conteúdo produzido com IA antes de integrar o processo.
  • Não inserir dados pessoais ou informações sigilosas em ferramentas sem garantias contratuais de proteção.
  • Registrar quando e como a ferramenta foi utilizada.
  • Capacitar as equipes de contratação e de controle.
  • Ao contratar soluções de IA, tratar no ETP e no contrato de dados, auditabilidade, segurança e responsabilidades do fornecedor.

Fontes e legislação

Conteúdo de caráter informativo, elaborado a partir da legislação e da jurisprudência vigentes na data de publicação. Não substitui a análise individual de um advogado, e cada caso tem particularidades próprias.

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